O último lobo da matilha perdida
caminha com liberdade, vagando por morros e campos.
Encara a todos com olhar julgador
fala verdades proibidas
e vomita-lhes palavras por toda a cara.
Filho legítimo da lua
em pecado incestuoso com o sol
nasce o lobo santificado
com os poderes dum semi-deus.
Tem a sensibilidade da poesia
e a ferocidade do fogo impiedoso
que a tudo vai queimando.
Tenta o lobo viver discreto
os anos que restam de vida
mas fica a humanidade em agonia
só em pensar na suaexistência
"És tu, oh lobo, o Poeta infame
que não conhece o limite
e vive a vociferar nossa sina:
macacos que aprenderam a pensar."
"Matemos o lobo e calemos a poesia!"
Mas o lobo, animal violento
como manda o bestial instinto primitivo
morde, com raiva, quem quer lhe calar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário