domingo, 30 de janeiro de 2011

Heresia


A porta da Igreja se fechou
e a última missa que o Padre rezou
não chegou a ter fim.

Templo vazio...
mendigos à margem...
veracidade selvagem...

- Acorda, vagabundo!
Que o sol já raiou
e a luz do novo dia
traz de volta a hipocrisia
que se arrasta pela vida.

Ajoelha-se com a mão no peito
e em seu pensamento torto
entre palavras sem jeito
pede à imagem de um morto
que lhe tenha compaixão.

Reclama sua fome,
chora suas desgraças,
diz como te achas,
revela tua aflição...

Depois espera pelas ruas
entre noites, mulheres e cachaças
o dia que venha uma nova Lua
que te alimente, vista e faça alegre.

E no dia deste milagre
fala ao padre que lhe baniu:

- Nosso Senhor me curou!

Paga todo o mês o dízimo
e chama seu padre amigo
pra jantar em casa contigo
na harmonia do seu lar.

Mas se não chega para ti
esta tal de salvação
fica parado na porta do templo
implorando um pedaço de pão.

Um pedaço de pão...
   Um pedaço de pão...
      Um pedaço de pão...
         Um pedaço de pão...
            Um pedaço de pão...

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