A primeira vez em que nos vimos
nos olhamos de lado e discretos sorrimos
num cumprimento noturno
que teve por testemunho a noite estrelada.
A segunda vez em que nos vimos
eu estava num bar, numa mesa cheia
cantando sambas, com amigos e desconhecidos
embalado na beleza doce do luar que clareia.
Você passou e novamente me sorriu!
quis lhe convidar a sentar-se à mesa
mas preso em grilhões de imagens
paralisado em minha cadeira, não tive coragem.
A terceira vez em que nos vimos
você me pediu um pouco de fumo
e eu, meio tonto, sem rumo,
lhe entreguei todo o pacote... tremendo...
com medo que alguém estivesse vendo
a minha ansiedade.
Mas, daí em diante, todos os dias
do despertar ao anoitecer
não mais nos separamos
taça repleta de paixão transbordand’alegria
momentos de realidade, reflexos da ilusão.
Mas conspira o universo contra nós...
as putas parem a intriga por todos os lados
o destino poderoso impõe o tempo nosso inimigo atroz.
Nasce então um furacão violento a nos carregar
e, ao morrer em brisa, cumpre a triste tarefa de nos separar
Na última vez em que nos vimos...
em nossos peitos, palavras entaladas...
em nossos olhos a imagem do desejo...
em nossos corpos, vontades enjauladas!
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