O que sente
O que fala
O que vive
O que verve
Reflete, respira
Inspira, atinge
É alvo da mira
Da vida, infinda
Na luz ilumina
Na noite aquece
No Sol resfria
O dia, o calor
Dos corpos, do amor
Da arte que invade
Transforma e até
Transtorna
Na transgressão
Da construção
Da novidade
Que nasce parida
Das entranhas
Que arranha
A gruta escura
Da mãe, mulhre
Que seja todo o que é
Numa outtra aurora
Desta nossa história
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quarta-feira, 27 de março de 2019
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Imagens Abstratas
Na faculdade,
nos muros do convento
eu olho pra parede e vejo
gravado no cimento mal rebocado
a imagem de um Cristo velho e irado.
As pessoas em derredor
conversam,
estudam,
fumam
e pensam
na sua ceguice
de compreender o mundo.
No céu negro
da noite fria
as imagens que se mostram
só eu consigo ver...
Em chamas decola a fênix
renascida, rumo ao infinito
dela surge o dragão
violento a cuspir fogo.
Logo mais outra aparição
e o rosto do homem
se transforma na face
branca e fria da morte.
O vento fala a língua da Natureza...
a chuva chora, gritando de dor ao atingir o chão...
a voz da brisa me revela o segredo universal
e me lesa em comunhão com o todo.
Num instante sou eu o Poeta louco
que vê imagens refletidas no céu e nas paredes.
Mas se o bem e o mal
andam em luta eterna
foram os dois que me disseram
para não tomar partido.
Sou destes um antigo amigo
pelos dois bem quisto
de uma irmandade remota...
Sigo então a minha sina
caminhando por entre
uma humanidade enlouquecida.
Fome de Quê?
Fome?
Quando ronca a barriga
e trovejam gritos de agonia
da fome não saciada
na criança de vida negada
a mãe, triste coitada
chora gotejos de sangue no coração.
Chega!
Basta da miséria instituída,
da hipocrisia escancarada
da esmola molengada
de se esconder o que falta
dando pão em migalhadas.
Pão... migalhas... fome...
Nós... nós temos fome de ciência
de trazer a erótica pro conhecimento
de pular os muros da escola
e construir a pesquisa pela mudança.
Para se amar mais que o possível
até se atingir a felicidade
e num momento de extrema sensibilidade
gritar bem alto a loucura
de querer com qualidade,
arte e cultura por toda parte.
E então toda família será digna
todo pai terá trabalho,
a fome deixará de ser o salário
e por fim reinará a segurança.
E de novo vamos sonhar com esperanças
na feitura dum país melhor
onde não haja mais exploração
e impere a igualdade, no dinheiro e na cor
e nesse dia chegou... querida revolução.
Pôr Do Sol No Fim De Tarde
A cidade se abre
em morros e vales
de uma floresta de concreto.
A vida vai passando
na velocidade que a brisa
As pessoas caminham
de um lado para outro
no corre-corre de seus deveres
e o fim do dia anuncia
a noite dos prazeres.
Cai a tarde
e o sol esconde-se
atrás do litoral.
A natureza, artista perfeita
pinta a aquarela multicor
no contraste crepuscular.
O véu celeste se descortina
mostrando ao mundo
a paisagem do paraíso.
E os olhos do Poeta,
alegres se umedecem
na contemplação da face divina.
Maria Lua
Maria morena
Maria baixinha
Maria graciosa
Maria gordinha
Maria...
gostosa Maria.
Maria sol
Maria lua
Maria nua
Maria só.
Maria noite
Maria dia
Maria com a foice
Maria melodia.
Maria fera
Maria em chama
Maria bela
Maria na cama.
Maria, que Maria, ave!
Ave Maria!
Maria simples
simplesmente Maria.
A Um Amigo
Eu quero poder sentar-me
à sombra de uma árvore
e falar com amigos
sobre coisas agradáveis.
Queria que todo o sonho
se torna-se realidade
e que a vida voasse
nas asas do sonhador.
Mas meus desejos inoportunos
sempre levam-me à decepção
e após os infortúnios
só me restam cacos quebrados ao chão.
E quando chega a hora do arrependimento
a minha garganta entalada
aprisiona minha voz desgastada
e meus olhos refletem sentimentos.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Vaidade
tudo é vaidade
e vento que passa
numa brisa suave
a caminho do mar...
Vaidade das vaidades!
-Tudo é vaidade!-
Que adianta ao homem do campo
matar-se ao sol,
esforçando-se em sua labuta
se no fim da vida, após a luta
tudo reduz-se a nada e o homem é pó?
Vaidade das vaidades!
-Tudo é vaidade!-
De que serve à mulher faceira
se pintando de falsa beleza
se com os anos a Natureza
guarda a gravidade como fim?
Vaidade das vaidades!
-Tudo é vaidade!-
O que presta ao artista
do palco as luzes artificiais
se depois tudo se desliga
e aplausos não ecoam mais?
Debaixo do sol
tudo é vaidade
e vento que passa
numa brisa suave
a caminho do mar...
As Palavras
As palavras
jogadas ao vento
se esvaem como a fumaça acre do cigarro.
Sua transparência
não rima com a eloqüente
densidade falseada
pela falta da prática.
De que servem palavras vazias?
Para serem o piso da demagogia
de oradores hipócritas?
Definitivamente, não!
Mil vezes, não!
Eu concebo a palavra
como sendo o prenúncio dos atos.
As retóricas sem desdobramentos ativos
não cativam meu cérebro exigente.
Como poeta,
vejo nas palavras
o início da possibilidade de mudanças.
Em nenhuma outra
enxergo tão forte comoção:
a ti, entrego a minha vida, Revolução!
O Homem
Quando chega o desequilíbrio cósmico
toda pura energia, de dor desespera:
padece o mundo com o câncer maligno
suicida-se o Homem na podre atmosfera.
Os gases fétidos desta pústula
enlouquecem os parasitas que vivem na Terra...
Construindo a mais triste História da Loucura
é o Homem que na insanidade se soterra.
Mas qual o motivo de tanta agonia?
Ah!... És tu, oh! Animal da razão
que querias quebrada a lei da selva
E agora andas perdido em tua pretensão
pois não consegues ver com clareza
que o presente de teu parto é a própria paranóia.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Orgônes
Nasce o sol por trás dos montes verdejantes
e a brisa bucólica da orvalhada matinal
beija suave tua doce face, bel’amante
enquanto despertas após a noite morna e frugal.
No leito macio de nossa suada guerra
admiro, imberbe, tua beleza descansada
vendo em tua fronte o reflexo da própria Terra
dançando alucinada no universo sua órbita elipsada.
E no corpo, ainda um tanto sonolento
alteiam-se sobre os músculos, minhas veias
fazendo o sangue inquieto mais depressa correr.
Ponho-me, então, retesado em tua presença
e reacendo para o amor a indispensável vela
que fervendo nossos corpos, nos faz morrer
e reacendo para o amor a indispensável vela
que fervendo nossos corpos, nos faz morrer
Teu Sorriso
Teu sorriso brilha
iluminando meu coração...
E de repente eu derreto
e me enterro em teus braços
me perdendo em teus abraços.
Minha comida são teus lábios
e tua língua em minha boca
revira minha mente louca
e o mundo a minha frente
não tem mais sentido com essa gente
que nos olhando fica
com inveja e nos condena...
E quando penso que compensa
amar assim de forma intensa
você cai fora da minha vida.
Sentimentos E Razões
Fortes são as Chuvas de Verão!
Necessárias... imprevistas...
Pancadas de amor entre o sol e a lua
refrescam calores contidos, suados,
que se dando às loucuras da liberdade
se abrem para as violências e prostituições
do mundo humano inventado
na vontade insana do espelho caído
que de luxúria cega a gente.
A Natureza em lágrimas
chora no frio da noite
lamentações em ventos uivantes
sussurrando lamúrias nos ouvidos
do romance impossível dos astros.
E é a angústia infinita da paixão
que afasta com dor verão e inverno,
nos limites do céu e do inferno,
dividindo sentimentos e razões.
Odesia
No silêncio de meus pensamentos
ruidosamente um muro se levanta.
Os meus versos perdidos,
escritos numa resma incinerada,
banidos ao limbo do esquecimento,
deixaram em mim apenas o odor da lembrança.
Poemas que vão, não voltam.
Somente abrem estridentes a porta
para que outras rimas, de mim brotem
meu estilo, por muitos questionado
é só meu, de mais ninguém.
Sou na minha originalidade, bastante comum.
De nada me importa o status gramatical,
não julgo as rimas como pobres ou ricas.
Quem sou eu para compreender a plenitude
daquilo o que simplesmente existe?
Sim... pois a poesia não se faz...
Ao contrário ela se mostra inteira
e quando o Poeta persiste
em um fragmento de palavras, da sua mente ela sai
fluindo na beleza das estrofes.
Sua musicalidade, vou ouvi-la
na sinfonia harmônica do universo...
Sua beleza, no contraste inquieto
da minha vida singular
sua importância, vou medi-la
em meu peito com cada golfada de ar...
Até a morte!
Até a morte!
Alucinógenos
rasga o espaço
com seu som alucinógeno,
eu embarco
em uma viagem psicodélica
sentindo em minha boca
o sabor doce do absinto
e a fumaça macia
de um cigarro de palha.
As luzes iluminam a cidade
Na noite fria de quinta-feira...
a melancolia dança pelos ares
ao som da música hipnótica.
Lá dentro me esperam
pra mais uma presença na aula.
O mestre pedante no pedestal
mostra aos a-lunos a ignorância
e lhes ensina o caminho da verdade.
E já não posso ouvir a música
pois tá chegando a hora
e tenho que ir pra aula
ouvir coisas duvidosas
e silenciar em minha resposta.
Ser Revolucionário
Amigo, você que a todo instante
pergunta e quer saber
o que é ser Revolucionário, guerreiro errante
escuta as palavras que venho lhe dizer.
Aquele que não tem medo da cousa nova
e do passado se liberta, quebrando as algemas
e sabe ter todo o homem a alma gêmea
ligando-o ao outro, muito além da carne,
põe-se corajoso, sob qualquer prova.
Ser revolucionário é banhar-se sorridente no sol de cada dia
é fazer da palavra morta o vivo canto da poesia
é ter para com o povo, pobre, humilde e trabalhador
mais do que compaixão
e sentir na pele a sua dor.
Por fim, amigo, ser revolucionário é amar
com toda a força da alma e o infinito do universo
todas as pessoas ao seu redor,
todas as coisas que no mundo tem lugar...
é tornar-se Poeta, ainda que não verse.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Seguindo Em Frente
Guardarei o frescor da juventude
pois não escrevi o poema derradeiro.
Amadureço embevecido na seiva da vida.
Estou ainda a buscar o meu soneto perfeito.
Imortalizo esta atitude
por que o Poeta não anda, flutua
caminha na Terra
pisando na Lua.
Tomo então este caminho
por sobre os roseirais da primavera
para cantar, de todas, a mais bela
merecedora de meus carinhos
nesta procura incansável
por um ninho protetor
aonde eu venha a ser insaciável
na arte doce do amor.
pois não escrevi o poema derradeiro.
Amadureço embevecido na seiva da vida.
Estou ainda a buscar o meu soneto perfeito.
Imortalizo esta atitude
por que o Poeta não anda, flutua
caminha na Terra
pisando na Lua.
Tomo então este caminho
por sobre os roseirais da primavera
para cantar, de todas, a mais bela
merecedora de meus carinhos
nesta procura incansável
por um ninho protetor
aonde eu venha a ser insaciável
na arte doce do amor.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Cassino da Vida – Sorte no Amor
Joguei os dados na mesa,
cortei as cartas do baralho,
escolhi um número na roleta
e a sorte está lançada.
Agora só depende de você...
só depende de você...
É preciso um parceiro
pra jogar no cassino da vida.
É necessário se arriscar
e quebrar as correntes, meu bem
se quiser viver como se quer
personalidade marcante, forte
para todo homem ou mulher.
A tola mesmice rotineira
foi criada para os bobos
aprisionando a todos
no podre preconceito social
do padre pregando a moral.
E tá todo mundo jogando...
dama, dominó ou xadrez.
E eu que te queria do meu lado
vejo o meio-campo embolado...
tá difícil dar um drible
e numa falta o juiz me expulsa
lá vou eu pro chuveiro, triste...
E com toda essa jogatina
procuro um ás na manga,
mas eu nunca fui trapaceiro...
nunca fui trapaceiro.
Então vou sair da jogada
e procurar o otário que inventou a piada
de que quem tem azar no jogo
tem sorte no amor...
sorte no amor.
Eu Quero Amar
Rasgue meu peito
e verás meu coração.
Ele sangra e se contorce
agonizando pela loucura.
Toque em meu rosto
e molharás a tua mão
encharcando-a com as lágrimas
que, teimosas, escorrem de minha íris.
Tua indiferença, porém, me mata...
cada sorriso aleatório me alegra...
um piscar de olhos me ressuscita...
E ainda tem um charlatão que fica
bem do meu lado querendo vender
a fórmula perfeita do amor.
E minh’alma, querendo-se ingênua
crendo em tudo, alto grita:
- Sim... eu quero amar!
- Sim... eu quero amar!
- Eu quero amar!
Eu e o Mundo
Quando nas sombras da noite
um vulto se levanta à minha frente
sinto a dor amarga d’um açoite
que ardendo consome as costas da gente.
Minha vida de artista
quiseram-na enterrada
numa elegante roupa, bem vestida
no corte certo do terno e da gravata.
Mas com a força d’um sorriso de criança
minh’alma aos céus elevou-se
nas asas seguras da esperança
como o sabor alegre de um doce.
O vento que roça as folhas das árvores
beija lânguido a minha face bela
acaricia o mar, brinca com a terra
o céu... é o vento que o risca selvagem.
O sol brilhando toda manhã
enche de calor e energia
os homens que nesta terra imensa
não entendem sua agonia.
E a lua num extremo oposto
chora luz constante
trazendo nas crateras espalhadas pelo rosto
a dor da ausência de seu desposante.
E qual, então,a minha surpresa
quando descubro, incrédulo,
que a sombra que me quer de presa
sai de dentro do meu próprio cérebro.
A Alma
A alma meu caro...
concreta matéria condensada
na máquina-corpo-homem.
A natureza humana...
cultural criação
da dialética antitesiática
da social relação
de cada instante histórico inscrito.
O exterior aí está!
Hoje assim como ontem
e para amanhã todas as possibilidades.
O mundo físico não muda
a não ser naquilo que a alma interage.
E, se alma-matéria
se matéria-energia
se energia-produção eletromagnética...
a alma comanda a máquina
em sua ação direta.
A natureza - nada perder-se!
constante transformação em movimento.
Negar a metafísica...
tão estúpido quanto afirmá-la.
Compreenda...
quando a máquina oxigena-se em ferrugem
abandonando-a, a alma morre.
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