Na faculdade,
nos muros do convento
eu olho pra parede e vejo
gravado no cimento mal rebocado
a imagem de um Cristo velho e irado.
As pessoas em derredor
conversam,
estudam,
fumam
e pensam
na sua ceguice
de compreender o mundo.
No céu negro
da noite fria
as imagens que se mostram
só eu consigo ver...
Em chamas decola a fênix
renascida, rumo ao infinito
dela surge o dragão
violento a cuspir fogo.
Logo mais outra aparição
e o rosto do homem
se transforma na face
branca e fria da morte.
O vento fala a língua da Natureza...
a chuva chora, gritando de dor ao atingir o chão...
a voz da brisa me revela o segredo universal
e me lesa em comunhão com o todo.
Num instante sou eu o Poeta louco
que vê imagens refletidas no céu e nas paredes.
Mas se o bem e o mal
andam em luta eterna
foram os dois que me disseram
para não tomar partido.
Sou destes um antigo amigo
pelos dois bem quisto
de uma irmandade remota...
Sigo então a minha sina
caminhando por entre
uma humanidade enlouquecida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário