Diante de mim algo se mostra...
Ou será alguém que se prostra
Como coisa caída no chão
Desta penumbra que é a noite
Donde os mistérios se apresentam?
Passo e não consigo saber
se cutuco com o pé, ou ajudo o ser
que se move na calçada.
De repente, um som...Baixo... abafado...
Como amordaçado em sua agonia
Numa desafinada canção
Donde se entoa a triste dor
A luz do poste revela
Uma poça gosmenta
Vermelha... preta... sangue
Meu Deus! É um moribundo que geme
Na rua onde os carros passam
Levando essa gente para casa
Ou para outra dose de cachaça...
O ser estirado é uma criança
Suja.. desnuda... abusada...
E na minha ânsia vontade de ajudar
Com a alma esquartejada vou lá
As lágrimas secaram no rosto do menino...
Na ferida se esvai o líquido da vida.
Foi um tiro! Mais uma vítima da chacina
Diária da grande cidade
Seu último suspiro
Num grande esforço
Para nada dizer
Aparece sem graça
Seu sorriso
O último riso
Do menino morto
Como farrapo roto na calçada.

O sentimento que fala...
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