segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

RENASCENÇA


Se a agonia da alma
Tem algum valor
Que seja ele para a justiça.
Pois o coração que sofre
Nas ruas, hospitais e prisões
Contorce-se apenas por não ter lida.
Bandidos e terroristas 
São também heróis de uma guerra
Que esperanças soterram
E levantam lamentações.
O mundo morre a cada dia
- no discurso dos especialistas-
Já não há futuro par a vida...
Mas o vento sopra
Espalhando as folhas
E o sol que abrasa
De repente abraça
O frescor da existência
E toda a experiência
É o sinal que persiste
Para nova renascença

domingo, 8 de janeiro de 2012

VIRTUALIDADE



Taí o computador... É o portal...
Sempre ali, pronto pra tudo
Te apresenta pessoas que não se conhecem
Mas que devem ter algo em comum
Sem jamais terem rido ou chorado juntas.
De repente um curte e o outro comenta
O curtir e comentar tem o quê de cutucar.
As mentes pairam sobre os teclados
Imaginando que do outro lado
Tem um ser que respira e é de verdade
Te fala, te canta, a até te come
Sem vocês nunca terem se visto.
No mais de tudo uma cam na web
É o clímax das carícias que se trocam
E daquilo o que pode ser visto e mostrado.
Os olhos encaram a câmera, que encara outra cam...
Na virtualidade vão se seguindo
A vida, a amizade e o sexo...
Logo surge o primeiro bebê virtual...
Perfeito com a primazia do Photoshop
E um sol alaranjado se pondo em sua chegada.
Não se saberá porém ao certo
Se filho de Bill Gates e Steves Jobs
Ou fruto dos meninos do facebook...
Século XXI vai avançando com suas transformações
E aqui já não precisa mais nem sair de casa
Para fazer umas comprinhas ali no shopping
E nem para dar uma chegadinha no bordel
Ou mesmo assistir a aula de mais alguma coisa inútil.

sábado, 24 de dezembro de 2011

A Dama dos Cães


De vida vazia
percorre a cidade
aquela que um dia
linda, na mocidade
encantava os moços
e enganava os outros
que viam o seu estandarte
e invejavam-na a beleza
com que a bondade
presenteou-lhe a Natureza
um brilho em sua face.

Hoje corre as ruas
suja e maltrapilha
as cãs maltratadas
embaraçadas, esbranquecidas
maquiagem de lama pelo rosto
seguida bem de perto e a seu gosto
por numerosa matilha
de viralatas, cães vagabundo
e encerra o seu amor
neste pequeno mundo.

Cada cachorro maluco
que a maluca dos cachorros acolhia
trazia uma história
de amores, dores do passado
no nome que batizava
todo novo filhotinho.
  
Um era o pai que a deixou
outro seu noivo canalha
e assim ela se cercou
com os fantasmas que a vida lhe dera.

Quem a olha e não a conhece
não sabe que aquele verme
é de rica família,
mestre formada
professora aposentada
que vive pelas ruas
na opção de sua loucura.

domingo, 23 de outubro de 2011

A VIDA









Venha a vida como uma lembrança
do lugar do qual viemos
para o lugar no qual queremos chegar...

Venha a vida trazendo de presente
o sorriso sincero da criança
durante todos os momentos de nossa andança
no meio dos irmãos..
dos amigos...
da família...
e das mães dos nossos filhos
que surgem como o fruto
de tudo aquilo o que vivemos.

Viva, viva e viva a vida!
Em toda a alegria de se mostrar
de ser do jeito que se queira ser
e viver do modo de se fazer
a pessoa mais importante do mundo
para que em nosssa partida
nossos amigos e irmãos
sintam a nossa falta
sorrindo...
chorando...
bebendo...
fumando...
vivendo
e amando...

Por que a vida é tudo!
Mesmo que tenhamos de combater
o orgulho, o ódio, a vaidade e a violência
que nos prende no círculo imundo
da desconfiança e desamor.

Para que a gente possa aproveitar
o Sol, a praia, as meninas e o mar,
os amigos prá sair e curtir
de dia, de noite, o tempo todo...
vivendo a vida sempre brincando
rindo prá falar sério
e mais sério, às vezes, chorando.

Vida, vida, louca e querida
mas vivida como se
um só momento pudesse conter
todo o viver...
as lembranças...
as feituras...
os amores...

Ame-se, então a vida
como a amante mais desejada...
aquela por quem a paixão é tresloucada
e o amor é um fogo
que queima o inferno
e nos liberta para sermos
o que queremos ser
e nos tornar
o exemplo de tudo
o que queremos fazer

 


O MENINO MORTO











Diante de mim algo se mostra...
Ou será alguém que se prostra
Como coisa caída no chão
Desta penumbra que é a noite
Donde os mistérios se apresentam?

Passo e não consigo saber
se cutuco com o pé, ou ajudo o ser
que se move na calçada.

De repente, um som...Baixo... abafado...
Como amordaçado em sua agonia
Numa desafinada canção
Donde se entoa a triste dor

A luz do poste revela
Uma poça gosmenta
Vermelha... preta... sangue
Meu Deus! É um moribundo que geme
Na rua onde os carros passam
Levando essa gente para casa
Ou para outra dose de cachaça...

O ser estirado é uma criança
Suja.. desnuda... abusada...
E na minha ânsia vontade de ajudar
Com a alma esquartejada vou lá

As lágrimas secaram no rosto do menino...
Na ferida se esvai o líquido da vida.
Foi um tiro! Mais uma vítima da chacina
Diária da grande cidade

Seu último suspiro
Num grande esforço
Para nada dizer
Aparece sem graça
Seu sorriso

O último riso
Do menino morto
Como farrapo roto na calçada.