domingo, 4 de setembro de 2011

CANTO DA PAIXÃO




Vou envolver-te em meus braços
Sussurrando para ti, bem baixo,
Palavras de amor e desejo...
As órbitas revirando os olhos
Repousarão em teu corpo
Belo e preparado pelos beijos.

E tu, com medo do novo, dirás
Carregando na voz a emoção:
- De tanto sentimento tenho medo...
Mas sendo tarde, entregue estarás
Cedendo a paixão, esquecendo receios
Transando todas as formas à exaustão.

Entrementes, entre - olhos ao ver-te,
O coração pesa-me o peito...
As mãos brincam em flerte...
A alma louca em tal jeito
Sai do corpo transcendente
Agarrando-te em abraços quentes

Toda a alegria em ti é esta festa:
Os seios, a boca, a flor e o sorriso
Na mais doce sinfonia da orquestra!
E o poeta admirado de tudo isso
Apequena-se a teu lado, pasmo
Saciando os desejos em orgasmo

Durmo sonhando com tal beleza
Embriagando-me num deleite de prazer
Que me brinda o néctar dos deuses.
E tu, agora zombateiro, vem e ri
Escarnecendo o mundo em mim
Súdito apaixonado a tua mercê.


Após o crepúsculo é aurora a chegar
A noite de tão longa foi um instante
A cama desfeita da arte dos amantes
Tira-me do sonho pondo a acordar
Com o perfume aromático da lembrança
Incandescente ao queimar da esperança.

E quando estas mãos novamente tocarem
Em tua face ardente e suave
Será como mil explosões nucleares
Com nossos lábios nos lábios a se beijarem
Na força de maremotos, terremotos e tufões
Celebrando mil e uma vezes todas as paixões.



sábado, 3 de setembro de 2011

SIM, NÓS LEMBRAMOS





Lembramos daquelas jovens que sonhavam por justiça e mudanças
E do campus de São Lázaro chamaram todos para a História.
Lembramos do coronel dentro da faculdade rasgando a Lei...
Dos juízes desrespeitados como na pele sofre o povo...
Dos vidros estilhaçados nas costas das crianças...
Do outdoor que dizia "Bahia, Bahia, Que Lugar É Este?"


Lembramos do gás de pimenta ferindo nossos olhos
Lembramos do amigo Grito espancado na Casa da Itália
Lembramos da delegada que comprou o ódio de um povo
Não esqueçemos do senador que sangrou seu estado.


Lembramos da Tropa de choque a cavalos em cima da gente
Da arma apontada para a menina de farda
Dos dedos perdidos na mão que encontrou a bomba
Lembramos do choro... Lembramos da dor... Lembramos da angústia...
Lembramos da vontade de lutar, de não se render, nem parar...
Lembramos dos ideais e da ideologia, dos discursos e da melancolia.


Sim, nós não esquecemos... que o criminoso comanda a polícia...
Que o povo ainda sofre... que os jovens ainda morrem...
Sim, nós sabemos, que as escolas não funcionam,
Que a educação é uma mentira estatística
Montada, orquestrada para a comunidade internacional
E que em nossa casa os jovens terminam os estudos
E mormente sabem rabiscar seus nomes numa folha de papel.


Sim nós não esquecemosi dos poetas do Solar D'Unhão
Que com arte clamavam e declamavam a constituição
Ainda recordo das perseguições, dos telefonemas anônimos
Que ameaçavam e tentavam intimidar aqueles guerreiros.


Sim, nós sabemos,  que não devemos esquecer...
Por isso que o melhor é cobrar. Cobrar o resultado de tanta luta.
Cobrar que valha a pena cada lágrima e angústia.
Pois se vencemos a tirania, então exigimos a mudança!


É por lembrar, por não conseguir esquecer, que não podemos aceitar
O dirigente da operação mais covarde que o Brasil já viu
Comandando toda a Polícia Militar do estado da Bahia.
É por lembrar que nós não podemos aceitar
Que o governador do povo não apresente sua memória
Seja calado e promova os algozes de antes e de agora.


É por lembrar do jovem cabeludo ajoelhado à frente da tropa
Tentando vencer o terror com a fé, que não podemos calar...
Tantos ainda riem... Riem hoje como riam ontem...


Mas é justamente por não esquecer, que não podemos nos dobrar
Nos acovardar e não seguir na luta, pois ainda não vencemos...
Apenas mudaram alguns nomes na luta do povo
Mas o sofrimento ainda é o mesmo.


E para que o templo do saber
Não seja violentado de novo, é que não podemos esquecer
Do outdoor sábio e oracular: "Bahia, Bahia, Que Lugar É Este?"

domingo, 28 de agosto de 2011

Cotidiano Urbano






A calçada manchada de sangue
é o reflexo maldito da loucura coletiva,
da individualidade distorcida
e a liberdade enganada.

Os risos gargalhados na noite,
as rajadas trovejadas de alegria
mostram nas caras de agonia,
de quem assiste perplexo
aparecer na Terra o inferno,
o temor dos dias a chegar...

Nos Estados Unidos a cobaia revoltada
destrói vidas por desejo
e a quem não gosta de seu ensejo
responde irônico, a insultar:
-Policial, eu sou Deus!

E neste momento, os desejos meus
são que a vida venha a renascer
nos gritos do pivete espancado,
no sangue derramado e negado
do povo pobre e humilde a sofrer.
E que surja da dor uma nação nobre
e um Brasil respeitado por ser
o chão firme de um povo forte.

Cantada



  
Vem comigo, meu amor
abraçados em nossa sedução,
mergulhados no desafiador
mar profundo de nosso querer
transcendendo os muros
proibidos e gostosos do prazer.

Acordar satisfeitos com o sol
enquanto os astros na rotina
adormecida da mesmice
se entregam calados à caretice
invejosa e mal fadada da cretina
ilusão de nas cortinas se esconder.

Vem comigo, doce anjo...
quero perder-me nos encaracolados
cabelos macios caídos em sua fronte.
Te quero... mesmo que só por uma noite
sentir em mim a sua volúpia
num cortante orgasmo perfeito
em que os nossos peitos
se cansam após uma noite de amor.

Nossos corpos um no outro
pesando em cima da cama
num terremoto silencioso
em que os nossos desejos
refletidos nos olhos ansiosos
se esvaem como lágrimas
que escorrem de forma mágica
da íris candente de nossas almas.

Oh, meu bem-amado...
sua beleza me alucina,
sua voz hipnotiza
seus olhos me seduzem...
vamos apagar as luzes
que incomodam e expõem
a nossa privacidade.

Vamos transar com liberdade
libertando as fantasias
escondidas na hipocrisia
que comanda a sociedade...
vamos gritar bem alto
com a força do trovão
escandalizando o falso
valor supremo da moral.

Quero gozar uma noite inteira
me deliciando em seu sexo
e o sexo livre não tem nexo
é só o gozo e o prazer...
quero me perder
por seu corpo, em todos os caminhos
lhe machucar fazendo carinhos
numa recíproca penetração.

Quero amar os seus lábios
e lhe cantar língua na língua
beijando com ferocidade ardente
pra que assim a gente
se transforme numa poesia
loucamente apaixonada.

E quando falarem da nossa vida
vamos dar uma gargalhada
pra essa gente que fica
prisioneira e enraivada
com todo nosso estilo.

Então, meu amor, é por isso
que eu te amo e quero mais...
viver eternamente num minuto
e em seus braços alcançar a paz.







domingo, 21 de agosto de 2011

CASO ENCERRADO


Te amei com o suor do meu rosto
e as lágrimas de meus olhos
cobriram minha face aflita
quando naquela noite maldita
um segundo após provar teu gosto
o arrependimento invadiu os corações nossos

Mal podia, incrédulo que sou, acreditar
que tudo aquilo que nós vivemos
ao satisfazer ansiosos os nossos desejos
deixaria em tua alma tal forte ensejo
para que ao invés de apaixonadamente amar
simplesmente de nós nos esquecêssemos.
 
Fantasmas rondam as minhas noites
gritando de alegria aos meus ouvidos
gargalhando histéricos da minha sina
pois o maior dos amores de minha vida
dilacerou o meu espírito
como nas pradarias, a foice
arranca zangada o mato com afinco.

E hoje, se nos encontramos não nos vemos...
se nos vemos... furtivamente nos negamos.
E daquela nossa grande vontade
que nos fazia escrever com felicidade
caminhos únicos para nós, num só plano
do que foi feito, nem sabemos.

A MORTE DO POETA



Calou-se o Poeta
em uma noite fria
sem estrelas, nem luar,
no fim de um dia
que a história há de apagar.

Calou-se o Poeta
diante da Rosa
sua amante verdadeira
que de tanta tristeza
perdeu sua beleza
morrendo a seus pés.

Calou-se o Poeta
e sua voz ressoante
persiste ao vento
e Lua e Estrelas e Rosas
todas suas amantes
ainda choram seu lamento.

Calou-se o Poeta
engolido na cidade cinzenta
que destruiu a alegria
matou o Amor
e tudo o que um dia
a ele já importou
tornou-se seu epitáfio
em um jazigo frio.

O Poeta morreu...
o assassino engravatado
de vergonha se escondeu.


A ILHA




Estava eu a navegar
em pleno alto – mar
quando de longe avistei
uma pontinha de terra
e aves a pousar.

Atraquei meu barco ali
e a noite não demorou a vir
a Lua e as estrelas
brilhavam em tons singelos
e tudo naquela ilha era belo.

No céu começou a formar nuvens:
- vai chover! – pensei –
mas logo a Lua voltou
com todo o seu esplendor.

E quando o sol retornou
com todo o seu calor
pus meu barco n’água
e voltei para casa.